terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

verão 2017, os hits

nunca vi um verão assim, tão quente, seco e cheio de hits. geralmente rola uma ou duas músicas de muito sucesso na temporada que antecede e incorpora o carnaval, mas este verão tem nada menos que quatro hits. o pontapé inicial foi dado ainda em dezembro com dois que se logo se transformaram em expressão popular [nada mais óbvio, afinal nasceram dela]. 

tudo começou com "deu onda" de mc g15. nascido gabriel paixão soares em duque de caxias, baixada fluminense, o garoto de 19 anos mudou-se em 2015 para são paulo. ele sabia que, por essas voltas que o mundo dá, são paulo tinha se tornado a capital do funk carioca desde sua mutação no final dos anos 2000, na baixada santista, em funk ostentação. o ostentação não aguentou o tranco da crise econômica e já não iria durar muito justamente por ser tão repetitivo em letras que não passavam de uma longa lista de marcas, e então o funk paulista se multiplicou em outros subgêneros. mc g15 foi atrás de um desses, o funk ousadia, que não passa da velha sacanagem brasileira, dos duplos sentidos com sexo e humor. daí que o sucesso de "deu onda" começou com sua versão explícita ["meu pau te ama"], mas foi a "família" que dominou tudo, um tanto também pela visibilidade que ganhou com o video dirigido por kondzilla, o midas dos clipes. e a música em si? pop até o último, de melodia facilmente identificável e letra cheia de expressões que grudam na cabeça. e ainda por cima ligeiramente nonsense e quase infantil. tudo coisa que dá onda.



igualmente nonsense e infantil - e também sacana, mas bem menos que "deu onda" -, a baianíssima "me libera, nega" é de ítalo gonçalves, 19 anos, mais conhecido como mc beijinho. samba reggae surgido do porta-malas de uma viatura policial [aqui tem um resumo desse início maravilhoso], a música é uma delícia do começo ao fim, principalmente pela curiosa divisão silábica de ítalo. é a silabagem, meu rei, uma das mais inquietas tradições do cancioneiro brasileiro [dá-lhe mário reis, joão gilberto, jorge veiga e tantos outros e outras].



já os outros dois hits do verão 2017, "todo dia" e "pau, perereca e cu", não são do tamanho das anteriores. são mais, digamos assim, de nicho [mas lembrando sempre que os nichos hoje em dia são mundos gigantes]. "todo dia", por exemplo, é do primeiro disco ['vai passar mal'] de pabblo vittar, cantora e drag queen maranhense radicada em são paulo. é pop eletrônico, e algo funk e brega, com refrão surpreendentemente político e festivo ao mesmo tempo ["eu não espero o carnaval chegar pra ser vadia / sou todo dia, sou todo dia"]. a cereja é a participação cantante do rapper rico dalasam.



e nada melhor que "pau, perereca e cu" pra fechar essa seleta de hits de verão né não. numa mistura louquíssima de suingueira, arrocha, funk e brega, o trio de brasília harmonia do sampler [mc caê maia, dj ops e o produtor cleber machado] transformou essas três palavras numa espécie de mantra do bundalelê. não dá pra ficar parado com tantos paus, pererecas e cus e essa é bem a ideia.



que loucura de verão é esse, minha gente?!

domingo, 11 de dezembro de 2016

50 + 50 discos brasileiros de 2016

já rolaram spoilers de alguns dos melhores discos brasileiros do ano na lista de músicas, então começo a falar desses destaques pessoais dentro da lista de 50 discos. trabalhos poderosos como o segundo do BaianaSystem [Duas Cidades] e o terceiro do Metá Metá [MM3], cheios de raivas e balanços, dubs e punks, música negra brasileira da maior qualidade. ou então os tropicalismos femininos de Céu [Tropix] e Iara Rennó [o duplo Arco e Flecha], docemente antropofágicas.  ou ainda a espiritualidade barroca e periférica do rapper Síntese [Trilha Para o Desencanto da Ilusão, Vol. 1: Amem].

BaianaSystem e Metá Metá

mas talvez os discos mais completamente bonitos de 2016 sejam, infelizmente e/ou surpreendentemente, póstumos. Sabotage é uma sequência de porradas habilmente costuradas durante muitos anos pelo produtor Daniel Ganjaman [e seus parceiros do Instituto] sobre gravações inacabadas deixadas pelo rapper paulistano morto em 2003. é impressionante, quase assustador, a constante atualidade de Sabotage, suas letras, seu som e, acima de tudo, seu fraseado [flow]. o outro póstumo é Ascensão, de Serena Assumpção [a filha mais velha de Itamar morreu em março deste ano, aos 39 anos], um belíssimo “mapeamento” musical das divindades do candomblé.  nesses dois discos profundamente afrobrasileiros, muitos convidados – um belo punhado do melhor da atual música popular – homenageiam dois artistas que foram embora cedo demais.

Sabota e Serena #DEP

mais minas – entre estes 50 discos, outras mulheres deram suas caras. podem ser mais políticas como Aíla [Em Cada Verso Um Contra Ataque, disco bonito com produção de Lucas Santtana], Lay [199129], Ju Dorotea [Sincronia] e MC Carol [Bandida]. podem também ser mais afetivas como Dona Onete [Banzeiro], Héloa [Eu], Kika [Navegante], Luisa Maita [O Fio da Memória] e Mahmundi [Mahmundi]. ou podem ficar no meio desses caminhos como Tássia Reis [Outra Esfera]. todas muito no controle de suas vontades, sonoridades e falas.

mais manos – o rap já apareceu aqui com Sabotage, Síntese, Lay, Ju Dorotea, MC Carol e Tássia Reis, mas tem muito mais versos rimados entre os 50 melhores discos de 2016. tem a atualização do primeiro disco de Criolo [Ainda Há Tempo], o segundo solo de Dexter [Flor de Lôtus] e o primeiro solo de Mano Brown [e mesmo que Boogie Naipe seja um tanto quanto longo e irregular é também muito interessante por mostrar outras facetas do maior rapper brasileiro de todos os tempos]. tem ainda a juventude de Rico Dalasam [Orgunga], Jamés Ventura [Jahbless Ventura], Nego E [Oceano], Rael [Coisas do Meu Imaginário], Rashid [A Coragem da Luz], do coletivo D.D.H [Direto do Hospício] e de MC Guimê [Sou Filho da Lua].

cantautores – em tempos passados, a turma seguinte seria rotulada como mpb, mas sabemos que ‘mpb is no more’ [ou é limitada demais para descrever o que é feito nos últimos tempos, mesmo por veteranos]. tem samba sujo paulistano via Douglas Germano [Golpe de Vista], ópera rock caipira de Meno [Barriga de 7 Janta], as psicodelias folk de Tatá Aeroplano [Step Psicodélico] e Gustavo Galo [Sol], as digressões do mestre Tom Zé [Canções Eróticas de Ninar], a primeira experiência de intérprete do Romulo Fróes [Rei Vadio é sobre Nelson Cavaquinho], o rock pós-brega de Bruno Souto [Forte], os afoxés pops de Wado [Ivete], as pesquisas amazônico-caribenhas de Félix Robatto [Belemgue Banger], o indie solar de Beto Méjia [Kaningawa], a poesia paulistana de Felipe Antunes [Lâmina], os pontos de bossa de Álvaro Lancellotti [Canto de Marajó] e surpreendente estreia de Fióti [Gente Bonita] com um disco pop de sambas, balanço, djavaneios e reggae.

grupos, bandas e vice-versa – se BaianaSystem e Metá Metá encabeçam a lista com seus trabalhos coletivos, outras formações seguem mostrando que não vieram a passeio:  o trio O Terno ganhou metais em seu terceiro disco, Melhor Do Que Parece, e amadureceu sua mistura de vanguarda paulistana com Beach Boys; o brega caribenho da Academia da Berlinda [Nada Sem Ela] é diversão garantida para todas as estações; o carnaval paulistano de rua também é fortemente autoral com A Espetacular Charanga do França [O Último Carnaval de Nossas Vidas]; a Abayomy Afrobeat Orquestra cria novas pontes entre África e Brasil em Abra Sua Cabeça; e Saulo Duarte e A Unidade [Cine Ruptura, produção de Curumin] mergulha em desesperos e esperanças em disco cheio de misturas.

instrumentais – nessa grande lista tem espaço também pra longa tradição do instrumental brasileiro, tanto com o inquieto veterano João Donato [Donato Elétrico] quanto com o jovem estudioso Vitor Araújo [Levaguiã Terê], mas também no encontro de gerações/escolas de Paulo Santos [ex-Uakti] com a banda Hurtmold [Curado], na segunda aula de história e música da Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz [A Saga da Travessia] e no retorno grandioso de Arthur Verocai [No Voo do Urubu possui algumas faixas cantadas e que interessante que nelas participem, por exemplo, Mano Brown e Criolo].

p.s.: vale mencionar que Daniel Ganjaman segue como um dos melhores produtores da atualidade e desses 50 discos de 2016, 5 tem dedos dele [BaianaSystem, Sabotage, Síntese, Criolo e Rael].


sem mais, os 50 discos brasileiros de 2016 segundo o gosto da casa.

A Espetacular Charanga do França - O Último Carnaval de Nossas Vidas
Abayomy Afrobeat Orquestra - Abra Sua Cabeça
Academia da Berlinda - Nada Sem Ela
Álvaro Lancellotti - Canto de Marajó
Arthur Verocai - No Voo do Urubu
BaianaSystem - Duas Cidades
Beto Méjia - Wahyoob
Bruno Souto - Forte
Céu - Tropix
Criolo - Ainda Há Tempo
D.D.H. - Direto do Hospício EP
Dexter - Flor de Lótus
Dona Onete - Banzeiro
Douglas Germano - Golpe de Vista
Felipe Antunes - Lâmina
Felix Robatto - Belemgue Banguer
Fióti - Gente Bonita EP
Gustavo Galo - Sol
Héloa - Eu
Hurtmold & Paulo Santos - Curado
Iara Rennó - Arco & Flecha
Jamés Ventura - Jahbless Ventura
João Donato - Donato Elétrico
Ju Dorotea - Sincronia EP
Kika - Navegante
Lay - 129129 EP
Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz - A Saga da Travessia
Luisa Maita - O Fio da Memória
Mahmundi - Mahmundi
Mano Brown - Boogie Naipe
MC Carol - Bandida
MC Guimê - Sou Filho da Lua
Metá Metá - MM3
Nego E - Oceano
Rashid - A Coragem da Luz
Rico Dalasam - Orgunga
Romulo Fróes - Rei Vadio
Sabotage - Sabotage
Saulo Duarte e A Unidade - Cine Ruptura
Serena Assumpção - Ascensão
Tássia Reis - Outra Esfera
Tatá Aeroplano - Step Psicodélico
Vitor Araújo - Levaguiã Terê
Wado - Ivete

e seguem mais 50 discos muito relevantes deste 2016.

Anna Tréa - Clareia
Arielly Oliveira - Negra Soul
Brisa Flow - Newen
Carne Doce - Princesa
Chave Mestra - Coração no Gelo EP
Clínica Geral - Clínica Geral EP
Côro Mc - Vem Desse Naipe EP
Coutto Orchestra - Voga
Dante Ozzetti - Amazônia Órbita
DeFalla - Monstro
Don Pixote - Don Pixote
Edvaldo Santana - Só Vou Chegar Mais Tarde
Esdras Nogueira - Na Barriguda
Família de Rua - Ontem, Hoje e Sempre
Flow MC - Versátil
francisco, el hombre - Soltasbruxa
Guri Assis Brasil - Ressaca
Ijexá Funk Afrobeat - Ifá
Jonathan Tadeu - Queda Livre
Jonnata Doll & Os Garotos Solventes - Crocodilo
Juliana Perdigão - Ó
Juliano Gauche - Nas Estâncias de Dyzan
Laya - Laya
Lestics - Torto
Liniker e Os Caramelows - Remonta
Lucas Vasconcellos - Silenciosamente
Lulina - Na Moita
Lurdez da Luz & PParalelo - Bem Vinda EP
Matéria Prima - Pocas EP
Paula Cavalciuk - Morte  & Vida
Projeto Nave - Remix vols. 1 e 2
Romulo Fróes & Cesar Lacerda - O Meu Nome é Qualquer Um
Serge Erege - Scorpio
Strobo - Strobo 4
The Baggios - Brutown
Thiago Elniño - Filho de um Deus Que Dança EP

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

80 + 10 músicas brasileiras de 2016

ah, Brasil tá ótimo, tá lindo, tá diverso. musicalmente falando, claro. tem dub, funk, rock, carimbó, arrocha, pagodão, samba, eletrônica, mpb e rap, muito rap. numa olhada rápida nessa lista é fácil de notar que quase metade das músicas do ano são ritmo & poesia. por outro lado, existe uma concentração da produção musical em sete estados [São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará e Distrito Federal], mas certamente está bem melhor do que já foi.

obviamente não fico pensando em representações quando estou fechando as listas de fim de ano. apenas agrupo as que mais ouvi no ano e vou editando para chegar em números razoáveis [e a cada ano que passa, as listas ficam maiores e maiores rsrs]. depois – tipo agora – é que traço esses perfis do meu gosto, do que vou atrás, do que vem a mim. mas porque caralha estou falando isso mesmo?


bem, a parte difícil de fazer listas musicais, pra mim pelo menos, é ter que escolher uma música só de alguns artistas que, não coincidentemente, assinaram os melhores discos do ano. foi difícil escolher uma só do Metá Metá, BaianaSystem, Céu, Iara Rennó, Síntese e das lindas produções póstumas de Sabotage e Serena Assumpção.

acho que em 2016 o que aconteceu de diferente foi um pessoal dando dribles no meu rigor e aparecendo solo em uma música e participando em outra [casos de Juçara Marçal, Mano Brown, Rincon Sapiência e Lay], alguns figuras que trabalham em muitos projetos [Thiago França, Daniel Ganjaman e Meno Del Picchia, por exemplo] ou então um fenômeno inescapável como o rapper baiano Baco Exu do Blues que emplacou uma própria ["999"] e uma parceria com o pernambucano Diómedes Chinaski ["Sulicídio", assunto e polêmica na cena rapper nos últimos meses deste ano]. 

os assuntos das músicas são os mais diversos: amores, perdas, paixões, a(s) cidade(s) e acho que tem muita política também ['política' no sentido da postura diante de alguns assuntos, tais como raça, gênero, feminismo, aborto, machismo, violência policial, etc]. mas foram o rap e o funk, os gêneros mais periféricos [e isso não é por acaso], que nos brindaram com as mais contundentes críticas sociais a este terrível ano de muitas perdas para o Brasil. destaque aí para "Hoje tem batuque" de Raphão Alaafin & Rincon Sapiência e "Delação premiada" da MC Carol [sem falar na (triste) atualidade de "Canão foi tão bom" do Sabotage].

na prorrogação da lista entrou um lançamento bem bom de Flora Matos ["Igual manteiga"] e acabou saindo Fumaça ["Tipo hustla"]; ambos candangos, veja só você. ah, e troquei a música do Mano Brown [é que foi lançado Boogie Naipe, o disco, então saiu "Felizes/Heart to Heart" e entrou "Adicto" - pensei na maravilhosa "Mulher elétrica", mas ela já tá rolando faz uns anos].

falei demais né? sobe som!

 
A Espetacular Charanga do França - "O bom marido" [part. Rodrigo Campos]
Abayomy Afrobeat Orquestra - "Mundo sem memória" [part. Otto]
Academia da Berlinda - "Nêgo nervoso" [part. Otto]
Aíla - "Lesbigay"
Aláfia - "O primeiro barulho" [part. Discopédia]
Alvaro Lancellotti - "Canto de Marajó"
ÀTTØØXXÁ - "F*da p*rra"
Baco Exu do Blues - "999"
Baco Exu do Blues & Diómedes Chinaski - "Sulicídio"
BaianaSystem - "Jah Jah Revolta Parte 2"
Beto Mejía - "Kaningawa"
Bonde das Dancinhas - "Vai quebrando"
Bruno Souto - "Amor demais"
Cabeça d’ Galeto - "Por acaso" [part. Dayane]
Carne Doce - "Artemísia"
DeFalla -"Monstro"
Dexter - "Tô de volta" [part. Edi Rock]
Don L - "Chapei" [part. Lay]
Dona Onete - "Coração Brechó"
Douglas Germano - "Golpe de vista"
Família 4i20 - "Meu deserto"
Felipe Antunes - "Essa moça"
Fióti - "Vacilão" [part. Juçara Marçal]
Flora Matos - "Igual manteiga" [part. Pedro Lotto]
Flow MC - "Gang das 4 rodas"
francisco, el hombre - "Triste, louca ou má"
Fresno - "Hoje sou trovão" [part. Caetano Veloso]
Froid - "Pseudosocial"
Héloa - "Calei"
Iara Rennó - "Mama-me"
Jamés Ventura - "Calma nego"
Ju Dorotea - "Sincronia" [part. DJ Josafá]
Juliano Gauche - "Muito esquisito"
Karol Conka - "Maracutaia"
Larissa Luz - "Bonecas pretas"
Laura Lavieri - "Quando alguém vai embora"
Lay - "Ressalva"
Lei Di Dai - "Chega na dança"
Livia Cruz - "Ordem na classe"
Ludmilla - "Sou eu"
Luisa Maita - "Na asa"
Lurdez da Luz & PPararelo - "Love" [part. Yanick Melo]
Mahmundi - "Hit"
Mano Brown - "Adicto" [part. Dado Tristão]
MC Carol - "Delação premiada"
MC Guimê - "Cadê a mina" [part. Marcelo D2]
MC Kevinho - "Tumbalatum"
MC Linn da Quebrada - "Enviadescer"
MC Marechal - "Primeiro de abril"
MC Tha - "Pra você"
MC Zaac & MC Jerry - "Bumbum granada
Meno - "Sabrina"
Metá Metá - "Angolana"
Mulamba - "P.U.T.A."
Nego E - "Lua negra"
Nego Gallo - "Missão"
O Terno - "Culpa"
Rael - "De amor"
Raphão Alaafin & Rincon Sapiência - "Hoje tem batuque"
Rashid - "Ruaterapia" [part. Mano Brown e Max de Castro]
Rico Dalasam - "Relógios"
Rincon Sapiência - "A coisa tá preta"
Sabotage - "Canão foi tão bom" [part. DBS, Negra Li, Lakers, Instituto e Daniel Ganjaman]
Sara Donato, Luana Hansen, Souto MC & Issa Paz - "Machocídio"
Saulo Duarte e A Unidade - "Uma música" [part. Laércio de Freitas]
Serena Assumpção - "Obaluaiê" [part. Filipe Catto]
Siloque - "Mais bases aliadas"
Síntese - "Desconstrução"
Strobo - "Vingativa" [part. Marina Lima]
Tábata Alves - "Quem vai duvidar?"
Tássia Reis - "Ouça me [remix]"
Tatá Aeroplano - "Step psicodélico"
Vitor Araújo - "Canto n.3"
Wado - "Mistério"
Xamã & MC Estudante - "Pedras de março" [part. Jean Santoro]

aí fui fazer a playlist no Spotify e, como já esperava, faltou muita coisa brasileira. mas não imaginei que seria tanto, pois das 80 faltaram 20 [pra se ter uma ideia, das músicas gringas, faltaram 8 de 100]. portanto, já vou avisando que ficaram de fora da playlist no Spotify músicas da A Espetacular Charanga do França, Amiri, Beirando Teto, Bonde das Dancinhas, Cabeça d'Galeto, Coro MC, Família 4i20, Felipe Antunes, Froid, Héloa, Kika, Lei Di Dai, Lívia Cruz, MC Marechal, Mulamba, Nego Gallo, Sara Donato [mais Luana Hansen, Souto MC & Issa Paz], Serena Assumpção, Tábata Alves e da dupla Xamã & MC Estudante. 



e aí a gente tem que aproveitar essas plataformas maravilhosas todas né. e tem playlist também - uma versão dela - no Deezer. não deu muita diferença pro Spotify. Felipe Antunes e Héloa tem no Deezer, a nova da Flora Matos no Spotify. de resto, as mesmas ausências. 



atualização 22.12: apareceram umas músicas, e fiquei sabendo de outras, depois que fechei a lista e deu uma dor de não colocar aqui. daí acabei fazendo uma nova playlist no youtube com mais 10 brasileiras. tem um remix do ÀTTØØXXÁ pruma música que deve ser o hit do verão baiano. tem os funks paulistas pós-ostentação de MC Neguinho do Kazeta e MC PP da VS. tem mais rap com Coruja BC1, BK e Gustavo Pontual. tem as canções de Guri Assis Brasil e Luedji Luna. e tem a ferveção drag de Lia Clark, Arezuta Lovi e Gloria Groove.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

50 discos gringos de 2016 + 70

Lemonade é o disco do ano, claro. o trabalho mais recente de Beyoncé é uma combinação matadora de raiva, afetos e redenção, tudo amarrado por um pop poderoso, negro e extremamente bem produzido. Beyoncé não é só diva ou rainha, como gritam os(as) fãs mais ardorosos(as); Beyoncé provou definitivamente em Lemonade que é uma artista maior e com total controle de seu discurso e do seu espetáculo.


daí que essa fantástica combinação de assombro feminino diante do mundo e pegada pop também  é encontrada nos novos trabalhos de Rihanna [Anti], M.I.A. [AIM], La Yegros [Magnetismo], Santigold [99 Cents], Alicia Keys [Here], Xenia Rubinos [Black Terry Cat], Norah Jones [Day Breaks], Warpaint [Heads Up], Kate Tempest [Let Them Eat Chaos] e da irmã de Beyonce, Solange [A Seat at the Table].

tem rap, o mais foda de todos os gêneros deste século 21, no trampo de algumas dessas minas, mas saíram alguns outros trabalhos impressionantes [nada próximo da grandeza de Kendrick Lamar e seu To Pimp a Butterfly do ano passado]. teve o emocionante retorno & fim do A Tribe Called Quest [We Got It From Here Thank You 4 Your Service] e novos trabalhos relevantes de veteranos como o De La Soul [And The Anonymous Nobody], o Atmosphere [Fishing Blues] e o Aesop Rock [The Impossible Kid]. já os novos de Drake [Views] e Kanye West [The Life of Pablo] são menos interessantes que seus trabalhos anteriores, mas mesmo assim muito acima da média geral. por fim, tem artistas mais jovens com sangue nozóio e novas referências, com destaque pra Anderson .Paak [Malibu], Frank Ocean [Blonde], Vince Staples [Prima Donna], Chance The Rapper [Coloring Book], ScHoolboy Q [Blank Face LP], Danny Brown [Atrocity Exhibition], J. Cole [4 Your Eyez Only] e volta de Aloe Blacc ao mundo do rap [Dystopia].

A Tribe Called Quest

então chegamos à cota de brancos da lista rsrsrs. David Bowie [Blackstar] e Leonard Cohen [You Want It Darker] nos deixaram este ano logo após lançarem belos e melancólicos discos de despedida, mas outros veteranos continuam trabalhando duro e em alto nível, com destaque pro lindos Radiohead [A Moon Shaped Pool] e Andrew Bird [Are You Serious?], e os afiados Iggy Pop [Post Pop Depression] e Nick Cave & The Bad Seeds [Skeleton Tree].


claro que ‘a gringa’ é muito maior que Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, e nessa lista de 50 discos entraram o blues rock tuareg do Bombino [Azel], o pan-africanismo eletrônico do Batuk [Música da Terra é um projeto dos sul-africanos Spoek Mathambo e Aero Manyelo com a moçambicana Manteiga], os dubs afro-latinos do Quantic's Flowering Inferno [1000 Watts], o afrobeat do Vaudou Game [Kidayu] e do Idris Ackamoor & The Pyramids [We Be All Africans], e o pop guettotech do congolês radicado nos Estados Unidos, Young Paris [African Vogue].

e pra encerrar, os discos instrumentais. dois tem o selo de qualidade Shabaka Hutchings, saxofonista inglês já conhecido da casa do espetacular Sons of Kemet:  Wisdom of Elders [Shabaka & The Ancestors] é um projeto dele com músicos sul-africanos e Channel The Spirits é do The Comet Is Coming, outra de suas muitas bandas. também ingleses são o Neil Cowley Trio com o excelente Spacebound Apes. tudo jazz da pesada.  outros discos europeus misturam jazz com sons africanos ou caribenhos, desde os holandeses do Jungle By Night [The Traveller] até os misteriosos suecos do Goat [Requiem], passando pelo finlandês Jimi Tenor [Saxentric] e os alemães do Bacao Rhythm & Steel Band [55]. por fim, os moleques americanos do BadBadNotGood [IV] e sua intensa mistura de jazz, rock, rap e outras bossas.

segue a lista completa:

A Tribe Called Quest - We Got It From Here Thank You 4 Your Service
A Tribe Called Red - We Are The Halluci Nation
Aesop Rock - The Impossible Kid
Alicia Keys - Here
Anderson .Paak - Malibu
Andrew Bird - Are You Serious?
Atmosphere - Fishing Blues
Beyoncé - Lemonade
Bombino - Azel
Chance The Rapper - Coloring Book
Charles Bradley - Changes
Danny Brown - Atrocity Exhibition
David Bowie - Blackstar
Drake - Views
Emanon [Aloe Blacc + Exile] - Dystopia
Frank Ocean - Blonde
Goat - Requiem
Idris Ackamoor & The Pyramids - We Be All Africans
J. Cole - 4 Your Eyez Only
Jimi Tenor - Saxentric
Jungle By Night - The Traveller
Kanye West - The Life of Pablo
Kate Tempest - Let Them Eat Chaos
Kaytranada - 99,9%
La Yegros - Magnetismo
Leonard Cohen - You Want It Darker
M.I.A. - AIM
Massive Attack - Ritual Spirit EP
Michael Kiwanuka - Love & Hate
Neil Cowley Trio - Spacebound Apes
Nick Cave & The Bad Seeds - Skeleton Tree
Norah Jones - Day Breaks
Quantic's Flowering Inferno - 1000 Watts
Radiohead - A Moon Shaped Pool
Rihanna - Anti
Santigold - 99 Cents
ScHoolboy Q - Blank Face LP
Shabaka & The Ancestors - Wisdom of Elders
Solange - A Seat at the Table
The Comet Is Coming - Channel The Spirits
Vaudou Game - Kidayu
Vince Staples - Prima Donna EP
Warpaint - Heads Up
Xenia Rubinos - Black Terry Cat
Young Paris - African Vogue

e como o serviço aqui no Esforçado é abrangente e inclusivo, seguem mais 70 discos bem bons mesmo [alguns destes chegaram a emplacar ‘músicas do ano’ na primeira lista da retrospectiva].

2 Chainz - Hibachi For Lunch
9th Wonder - Zion
Adrian Younge - Something About April 2
Adrienne Fenemor - Mo' Puddin'
Animal Collective - Painting With
Anthony Joseph - Caribbean Roots
Azealia Banks - Slay-Z
Balkan Beat Box - Shout It Out
Banks & Steelz - Anything But Words
Bishop Nehru - Magic:19
BJ The Chicaco Kid - In My Mind
Debo Band - Ere Gobez
Desiigner - New English
Devendra Banhart - Ape in Pink Marble
DJ Khaled - Major Key
El Guincho - Hiperasia
Fanfare Ciocarlia - Onwards to Mars!
Flume - Skin
Fritzwa - Avenue A
Fumaça Preta - Impuros Fanáticos
Gonjasufi - Callus
Guts - Eternal
Helado Negro - Private Energy
Homeboy Sandman - Kindness for Weakness
Hope Sandoval & The Warm Inventions - Until The Hunter
Isaiah Rashad - The Sun's Tirade
Izzy Bizu - A Moment of Madness
James Blake - The Colour in Anything
Jamila Woods - Heavn
Josef Leimberg - Astral Progressions
Kings of Leon - Walls
Kool Keith - Feature Magnetic
La Femme - Mystère
Laura Mvula - The Dreaming Room
Lee 'Scratch' Perry - Must Be Free
Lido Pimienta - La Papessa
Lizzo - Coconut Oil EP
L'Orange & Mr. Lif - The Life and Death of Scenery
Mexrrissey - No Manchester
Mick Jenkins - The Healing Component
Mykki Blanco - Mykki
Noname - Telefone
Onda Vaga - OV IV
Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou - Madjafalao
Pigeon John - Good Sinner
PJ Harvey - The Hope Six Demolition Project
Rae Sremmurd - SremmLife 2
Rapsody - Crown EP
RJD2 - Dame Fortune
Rolando Bruno - Bailazo
Sadat X - Agua
Snoop Dogg - Coolaid
Strokes - Future Present Past EP
The Bad Plus - It's Hard
The Bongolian - Moog Maximus
The Claypool Lennon Delirium - Monolith of Phobos
The Heliocentrics - From the Deep
The Olympians - The Olympians
The Underachievers - It Happened In Flatbush
Young Thug - Jeffery